O Grande Prelúdio

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Na pintura (clique para exibir) realizada por Raffaello Sanzio da Urbino durante o período de 1509 até 1511, podem ser vistos inúmeros filósofos que, das mais variadas formas, contribuíram para o desenvolvimento humano até aquela presente data.

O artística italiano poderia não ser exímio conhecedor de todos os filósofos retratados em sua pintura, mas reconhecia a importância de todos através da contribuição de suas respectivas mentes, que por sua vez moldavam a realidade social de suas épocas.

Não sou filósofo ou pintor, nem mesmo, acredito, os meus leitores, mas carregamos, assim como Raffaello, embora de maneira diferente, todos esses e mais filósofos conosco em nossas mentes, imortalizados à forma de nossas próprias convicções.
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As teorias e ensaios realizados nesta página serão fundamentados pela famigerada Psicologia da Autoestima – escola da psicologia elaborada por Nathaniel Branden, fundamentada nos princípios filosóficos da escola objetivista de filosofia, desenvolvida por Ayn Rand, e também por considerações minhas que ultrapassam o corpo epistemológico desta escola e da teoria do psicólogo mencionado.

Resumidamente, a escola objetivista tem como princípio a primazia da existência sobre a consciência, implicando que a realidade (ou existência), bem como os elementos nela presentes – os fatos, a causalidade, a verdade et caetera – independem da consciência. Desse modo, à consciência, enquanto a ferramenta que torna capaz às pessoas consentir, resta uma única função: a de conhecer, de se fazer consciente; e, como consequência direta disso, as considerações pessoais, desejos, devaneios, anseios, não exercem sobre a realidade qualquer efeito, e a ela deverão estar subordinados, conforme a própria relação de primazia.

De modo a ilustrar a primazia, assume-se: para considerar-se que haja uma consciência, deve-se pressupor que exista essa consciência; para pressupor-se que a consciência consente alguma coisa, precisa-se pressupor que a consciência [que existe] realizou cognição de algo que também existe. A existência antecede a consciência.

Embora o último parágrafo possa parecer confuso, o mesmo poderá ser compreendido ao analisar o conteúdo prestando atenção à hierarquia de necessidades: a tudo o que o homem afirmar verdadeiro, deve-se pressupor sua existência (que aquilo que fora afirmado existe). Desse modo, ao conceber-se uma consciência, implicitamente a pessoa estará presumindo que existe uma consciência. O mesmo será válido para aquilo que a consciência consente.

Não obstante, ao assumir que a consciência realiza cognição de algo que existe, define-se que a consciência realiza a cognição de alguma coisa. Não à toa, a própria assunção da existência de uma discrepância dentre todos os elementos que existem (de uma relação de diferença entre eles) assume implicitamente que esses existentes possuem uma identidade própria, diferindo-se um dos outros: “sim, existem, mas existem gatos, pedras e mesas, como também existem raças de gatos, tipos de rochas e estilos de mesa, que diferem-se visualmente em cores e padrões de pelagem, em tenacidade e brilhosidade, em material e medidas, respectivamente, ad infinitum.”

Enfim, estar consciente de algo seria o mesmo que estar em estado de apreensão de suas características e/ou atributos; de sua identidade: quem está consciente, deve estar consciente de alguma coisa em particular.

Assim sendo, consciência é ambos faculdade (potência), de consentir, e estado (ser), de apreensão; sobretudo, consciência, assim como qualquer outro existente, é. Ademais, Identidade, por ser uma característica do existente apreendida pela consciência, e tendo a existência primazia sobre a consciência, é definida como uma consequência direta da existência; é dada conforme a relação em fluxograma: existência -> identidade -> consciência; apreende-se a identidade dos elementos existentes na realidade [realidade, lato sensu, como totalidade dos existentes].

Outrossim, pode-se afirmar que a própria consciência, enquanto atributo daquilo que existe em particular (ou seja, nem de tudo o que existe, ex.: pedras e cadeiras não têm consciência), também possui uma identidade. Afinal, não seria a afirmação “a função da consciência é a de estar consciente” uma própria reiteração desse fato?

“Existência é identidade, consciência é identificação. Consciência é a faculdade de estar consciente – a faculdade de perceber o que existe [através da apreensão da identidade daquilo que existe].” — RAND, A. For The New Intellectual. New York: Random House, 1927. p. 124. Tradução livre; colchetes meus.

Ilustrados esses três principais conceitos (ou axiomas fundamentais, tais como são conhecidos), existência, identidade e consciência, e também identificada a relação de primazia entre eles, onde a existência detém primazia sobre a consciência, tem-se as principais premissas que nortearão todas as postagens deste site, sendo assumidas mesmo que implicitamente – sem que haja a necessidade de mencioná-las diretamente.

O último elemento imprescindível à compreensão da didática deste site advém do fato de que o uso da consciência não necessariamente é infalível, pois, embora a apreensão dos existentes seja automática à consciência[1], as conclusões não o são.

Ora, um indivíduo faminto em uma floresta poderá observar uma fruta. A apreensão do objeto e a associação deste enquanto um alimento será dada de forma natural[2] por ele. Todavia, o conhecimento quanto a fruta ser ou não venenosa ao ser humano pressuporá um juízo que deverá ser voluntariamente realizado pelo indivíduo que a avistou — “erro” é um conceito apenas aplicável à ação subjetiva, seja ela volitiva (humana) ou determinista (infrahumana).

A ideia de que as conclusões são falíveis, embora a apreensão de existentes seja automática, origina a hipótese de que, para o correto entendimento do existente apreendido, deva haver um método — e este [único] método assumido, pelo menos para tudo o que neste site for tratado, é o método racional.

Resolvidos os princípios para o arcabouço teórico deste site, é também importante explicitar que algumas postagens contarão com leituras sugeridas, dado o fato do conhecimento se estruturar de forma hierárquica e consequencial, de modo a tornar possível ao leitor a plena compreensão de questões técnicas, independentemente de sua idade ou formação intelectual. Adicionalmente, vale mencionar que, por esta ser a postagem principal do site, não necessariamente será recomendada por qualquer outra enquanto leitura sugerida.

Sobretudo, esta página abordará todos os elementos da psicologia como passíveis de plena compreensão pelo ser humano, conquanto este faça o correto uso da razão, e será conforme este método que cada um dos elementos serão fundamentados e demonstrados.

E se você, leitor, leu tudo isso até o final e motivou-se ao ponto de querer continuar a leitura, você implicitamente concordou com tudo o que fora abordado. Não obstante, a continuação das postagens desta página trará a você respostas para muitas de suas possíveis dúvidas e problemas.

Matteo Guimarães

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Referências:

[1] Até mesmo ao fechar os olhos o ser humano continuará enxergando, motivo o qual mesmo ao aproximar uma lâmpada aos olhos fechados, o ser humano captará uma leve tonalidade amarelada.

[2] Neste caso advém da associação do elemento apreendido (fruta) para com outro alimento que não o falte à memória. É um processo automático.

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